Comando e Controle, a ponta do "Iceberg"

Iceberg

A primeira vez que ouvi falar sobre este termo foi no início da minha função gerencial, há mais de 10 anos. Naquela época, tinha certeza que para ser um bom líder era necessário dar instruções e controlar a equipe o tempo todo. É claro que não funcionou e eu tive muitos problemas por conta deste comportamento. Então, sabendo que algo estava errado, decidi buscar ajuda. Fiz um curso de curta duração na FGV que se chamava: GV-PEC - Liderança para jovens Talentos, certamente foi uma boa decisão. Foi nesta oportunidade que eu conheci o tema e comecei o meu desenvolvimento como líder.

Em seguida, tive o privilégio de trabalhar na Engeform por quase 6 anos. Para mim foi como se eu tivesse concluído uma segunda Pós-Graduação em Gestão e Liderança. A Engeform investe pesado em desenvolvimento de pessoas e é bem reconhecida por isso.

Contudo, quando olho para trás, me vejo completamente diferente daquele garoto recém-formado. Tenho certeza que a minha evolução professional e pessoal foi imensa nesta jornada. Assim, para mim o tema Comando e Controle estava definitivamente superado.

Então por que falar sobre este assunto agora?

Para responder esta pergunta, preciso fazer uma breve introdução. Estou passando pelo meu período sabático em Toronto, além de desenvolver o meu inglês e conhecer a cultura de um país desenvolvido, também estou aproveitando para investir tempo em meus negócios e profissionalizando o meu hobby, desenvolvimento de aplicações na Web. Esse período tem sido ótimo para eu refletir sobre toda a minha experiencia, digerir muitas informações que tive contato e conhecer como as coisas funcionam por aqui. Inclusive estou escrevendo alguns artigos para registrar e compartilhar alguns destes aprendizados.

Enfim, neste período aqui no Canadá o tema Comando e Controle apareceu para mim em três situações distintas, o que me chamou a atenção e me fez refletir e escrever sobre isso.

A primeira vez, foi quando estava fazendo um trabalho "freelance" online, era a elaboração de um website. Durante a execução do trabalho, eu na posição de executor, observei o comportamento de Comando e Controle no meu Cliente, na posição de liderança. Foi uma experiência bem interessante, pois depois de 10 anos pude experimentar a posição inversa, entendendo como o outro lado da história pensa, sente e age. Foi incrível, confirmou todo o meu aprendizado até o momento.

Já a segunda vez, foi em um serviço de consultoria de planejamento de obra que fiz. Nesta Obra o modelo de contratação do cliente é complemente diferente do que estou acostumado. O cliente irá pagar a Obra por meio de métricas que medem o seu desempenho final. Achei o modelo incrível, isso muda completamente o planejamento e a estratégia da Obra. Já tive inúmeras aulas, treinamentos e discuções sobre modelo de contração ganha-ganha, acho que é um modelo que faz todo o sentido, mas eu nunca havia olhado este tema pela perspectiva Comando e Controle.

Por fim, a terceira vez foi lendo uma notícia local sobre transporte público em Toronto. Aqui não tem cobrador de ônibus, cada um é responsável por passar o seu cartão, que é uma espécie de Bilhete Único de São Paulo. Nesta reportagem, a informação era que o prejuízo pelo não pagamento da tarifa havia alcançado a ordem de 60MM de dólares (R$210MM) em 2018. É um número bem relevante e que representa aproximadamente 5% dos usuários. A reportagem abordava algumas das campanhas e ações que estavam sendo tomadas para gerenciar este problema.

Esta última experiência me despertou a atenção pois eu já havia experimentado este modelo em outras cidades desenvolvidas no mundo e eu acreditava que isso só era possível pois se tratava um país desenvolvido, e por isso, obviamente, todo mundo respeitava e pagava sua passagem corretamente, enquanto no Brasil isso estava muito distante. Agora percebo que este meu pensamento pode ter uma relação direta com a nossa cultura de Comando e Controle. Enquanto nos países desenvolvidos é comum: gerenciar as perdas e agir nas exceções, no Brasil, me parece que a ordem é: controlar tudo, não importa o quanto custe.

Estas três situações fizeram todo o sentido. Consegui perceber que o tema Comando e Controle é muito mais abrangente, e que ele está enraizado na nossa cultura brasileira, fazendo com que tenhamos comportamentos involuntários orientados a Comando e Controle em nossas relações pessoais, familiares e principalmente nos negócios.

Para mim em particular, esta questão é bem impactante e desafiadora, pois sou especializado em Planejamento, Gestão e Controle. Para tratar deste assunto, venho observando a cultura aqui no Canada, pesquisando sobre o tema, amadurecendo a ideia e formatando soluções inovadoras.

Gostaria de finalizar com uma reflexão:

Qual é o formato ideal para o Controle de seu negócio?

Obrigado pelo seu tempo e espero sinceramente que tenha conseguido despertar uma reflexão saudável.

Forte abraço.


<< voltar