O Planejamento e a Bola de Cristal

Ampuleta

Nos meus 14 anos de experiência no mercado da construção civil tive a oportunidade de acompanhar mais de 75 construções, desde de edificações como: Hospitais; Escolas; Edifícios Comerciais; e Edificios Residenciais; a obras de infra-estrutura como: redes de água/esgoto; pontes; viadutos; rodovias; túneis; usinas hidroelétricas; e estações de tratamentos de Água/Esgoto;

Durante este período observei que muitos profissionais da construção enxergam o planejamento da Obra como uma espécie de “premonição”, onde o responsável pela elaboração pegou a sua “Bola de Cristal” e tentou adivinhar tudo o que iria acontecer naquela Obra, principalmente quando ela iria terminar e quanto ela iria custar.

Logo no começo da minha carreira, eu também acreditava que o planejamento era uma “Bola de Cristal” e me esforçava para tentar adivinhar o que iria acontecer, e quando não acontecia, voltava para o meu planejamento para descobrir o que fiz de errado. Não demorou para eu perceber que não era este o caminho, mas levou anos para eu organizar e formatar esta ideia a ponto de poder colocar este assunto do jeito como estou fazendo agora. Sei que a forma que irei abordar a seguir irá parecer obvia, mas, mesmo assim, acredito que seja relevante levantar o tópico para reflexões e discussões.

Pela minha experiência, para que todas as metas e premissas estabelecidas no Planejamento ocorram de fato, a equipe de execução deve seguir o passo a passo do que foi determinado no planejamento com bastante afinco. Quando isso não for possível, ele deve ser recalculado, antes da sua execução, considerando novas alternativas possíveis e seus impactos. Possibilitando assim uma tomada de decisão embasada e consciente. Dependendo do tamanho do impacto nas metas e premissas, uma nova linha de base deve ser emitida e validada com as partes interessadas.

Para exemplificar isso, vou fazer a seguinte analogia: imagine que o seu o Planejamento funcione como o “WAZE”, antes de começar a jornada, a linha de base é estabelecida, assim como você escolhe a rota no “WAZE”. Então inicia-se a execução da Obra e o planejamento é atualizado em tempo real, tal como a rota no “WAZE”, gerando novas tendências de resultado sempre que ocorrer uma necessidade de mudança ou for identificada uma oportunidade. Servindo também como uma ferramenta para tomada de decisão instantânea, assim como no “WAZE” que oferece novas rotas com novas distancias e novos tempos para você escolher.

Dessa forma o Planejamento funciona de forma proativa e como uma ferramenta diária da equipe de execução, como se fosse a voz do “WAZE” dizendo: “Vire a esquerda”, “Vire a direita”, “Prossiga por 300 metros” ou melhor: “Faça a Alvenaria 232”, “Concrete o bloco 23”, “Compre areia por até R$50 por m3....”, “Finalize o bloco até quinta”, “Recalculando...”

Falando assim parece fácil, né? Mas não é nem um pouco, é necessário muito conhecimento técnico e muita habilidade para estruturar toda esta informação de tal maneira que isto funcione em um ciclo satisfatório para que a execução da Obra não seja afetada.

Na prática, o que acontece na maioria das Obras é que o planejamento não é atualizado em tempo hábil e, assim, ele fica desconectado da execução e a equipe de execução deixa de usá-lo como uma ferramenta proativa. Logo é normal que as pessoas considerem que o planejamento é uma “Bola de Cristal” tentando adivinhar o que vai acontecer na Obra. De qualquer forma, são poucas as empresas que conseguem atualizar o planejamento de forma dinâmica. Geralmente essa atualização é feita em ciclos longos, de aproximadamente um mês ou mais.

Acredito que este assunto tenha sido o maior desafio da minha carreira nos últimos anos. Mas é claro, que só agora percebo este problema com maior clareza. Certamente o sonho da maioria dos Empresários e Gestores da Construção é que esse modelo de planejamento “GPS” funcione em tempo real e com máximo de detalhes e diagramas possível.

A solução

Quando eu entendi o problema, criei planilhas avançadas com um monte de fórmulas e macros em VBA, atuei na melhoria dos processos e procedimentos e contribui para a melhoria do ERP. Isso funcionou muito bem, precisava de conhecimento avançado e dava muito trabalho, mas era possível verificar resultados positivos.

Então eu acreditava que era possível melhorar esta solução e escala-lá. Era só desenvolver um sistema único para fazer tudo isso, apertar um botão e Pronto! Decidi construir este software sozinho, aprendi a programar, me tornei "FULL STACK WEB DEVELOPER" e desenvolvi “O SOFTWARE”. Esse processo todo levou mais de 6 anos e consegui completar com sucesso. Tenho muito orgulho do software que desenvolvi sozinho.

Pronto! Finalizei o software e comecei a comercializar, foi ai que me "caiu a ficha" e percebi que o Software resolvia apenas os problemas do Sistema e dos Processos padronizados, ainda faltava resolver o problema das equipes especializadas. É como ter um avião de última geração e não ter o piloto adequado. Já havia um tempo que eu havia percebido que a parte de equipe especializada era a mais difícil, é necessário formar e desenvolver a equipe. Nos meus casos de sucesso, eu tive a sorte de ter atuado com profissionais altamente capacitados. Ou seja, nenhum sistema do tipo irá fazer isso sozinho, pelo menos não atualmente. Quando toda a construção for feita por robôs e impressa por impressoras 3D gigantes, tenho certeza que sim, irá fazer sozinho apertando um simples botão "Imprimir", mas não é hoje e talvez nem na próxima década.

Então como se resolve este problema? É necessário a combinação perfeita de uma equipe de planejamento especializada, uma equipe de execução engajada, sistemas adequados e processos de planejamento/gestão avançados na empresa. Assim é possível adotar o modelo de planejamento “GPS”. Claro que essa é uma solução altamente onerosa e demanda um tempo considerável.

Como pequenas e médias construtoras podem adotar modelo de planejamento “GPS”? Existe a combinação de serviços: Software + Consultores especializados. O ONYZ é uma das empresas que atuam desta forma.

Espero que tenha te ajudado de alguma forma compartilhando a minha experiência. Fique à vontade para contribuir com sua opinião e dúvidas.

Forte abraço.


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